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31 de janeiro de 2011

“História Antiga – Pantanal Revisitado”
- Por Corintha Maciel

postado por rubens pontes,
jornalista

- "Caro Oleari
O registro anterior teve ótima repercussão em Mato Grosso e Brasilia. 


Encaminho o texto com o qual Corintha Maciel fez a apresentação do livro “Canção Antiga – Pantanal Revisitado” no campus da Universidade Federal, em Aquidauna (já pesquei nos rios que passam por lá). Grande abraço, Rubens".

O texto da escritora Corintha Maciel, a seguir:

Hoje, o Pantanal é uma das regiões do Brasil com mais destaque em termos de “mídia”. Todas as emissoras de TV se esmeram em apresentar reportagens que nos conduzem a, uma reedição do Jardim do Éden.

Os governos, por sua vez, tem se preocupado em criar decretos visando a preservação do eco-sistema, regulamentando as áreas de ocupação, com vistas à manutenção da flora e da fauna.

As Universidades, dando ênfase à pesquisas, apresentam análises sociolingüísticas, geoeconômicas, históricas e afins, com o objetivo de documentar o conhecimento da região, através do saber científico.

Diante de toda esta preocupação e estes cuidados, poderíamos dormir tranqüilos, na certeza de que a sobrevivência do pantanal, enquanto patrimônio nacional está garantida.

Mas, eu pergunto: nesse contexto, sócio-político, onde fica a memória do sagrado, a ALMA do Pantanal? Onde foi colocado o sujeito único que um dia, enfrentando todos os desafios de uma região inóspita, abriu picadas no cerrado, briquitou, conduziu gado através de rios e alagados, fincou as primeiras estacas assinalando a posse da terra a ser desbravada? Onde está hoje, o HOMEM DO PANTANAL? Onde foram parar suas histórias, contadas ao pé do fogão de lenha, ao balanço da rede, ao ranger das porteiras? Seus desafios, os perigos, o amor, a morte?

Será que o homem pantaneiro está reduzido apenas ao contingente que ficou no campo, porque a situação econômica não lhe permitiu ir embora, em busca de um status?

E foi na tentativa de preservar esta memória do sagrado que vive inscrita na alma de cada lugar, que me empenhei em escrever as histórias, que ouvi de minha avó, desde menina, e que, documentei, na década de 70, numa narrativa com o propósito de preservá-las, uma vez quer os velhos, que haviam sido os protagonistas dessas histórias, já estavam começando a morrer, e, se nada ficasse registrado, a história das origens pantaneiras morreria com eles.

Trinta anos se passaram, e hoje a velha sou eu, e diante da idéia ameaçadora, de que essas histórias possam morrer comigo, juntei aquelas primeiras histórias a outras que fui coletando ao longo do tempo, incluí um capitulo com as memórias da infância de minha querida tia Salústia, que dedicou seu zelo de missionária extra-muros, à cidade de Aquidauana , dei a todas elas uma nova formatação, um nova linguagem, com preensões a uma Opereta Cabocla, e estou trazendo a vocês, em primeira mão, o livro “Canção Antiga – Pantanal Revisitado -.”

Quem gostar de histórias, certamente encontrará nele um assunto para muitas conversas ao pé do fogo.

(Apresentação do livro “Canção Antiga – Pantanal Revisitado”, de Corintha Maciel. no seu lançamento, na Universidade Federal de Aquidauana, MT.

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