Há muito tempo se fala que a Bahia é o Estado em que mais existem dias santos e feriados; mas o Espírito Santo não está longe da realidade baiana. Outros estados estão indo por esse mesmo caminho. Não podemos negar que um fim de semana esticado, às vezes vem num momento oportuno, propiciando uma chance a mais para que os funcionários públicos e burocratas revigorem suas forças e possam continuar a luta durante o ano.
Certamente alguns segmentos saem mais sacrificados do que outros e também serviços que deixam de ser prestados à população carente, àqueles cidadãos que não têm como se dar ao luxo de desfrutar um feriado prolongado, como desfrutam muitas pessoas da classe média alta, que viajam, saem para curtir o verão ou o inverno fora de suas áreas de ação.
Por outro lado, a economia sofre mais um solavanco, que pode ser mais para cima ou para baixo; para cima quanto aos hotéis e pousadas das regiões praianas e serranas, que vêem melhorar seu faturamento; ou para baixo quando diminui a movimentação comercial em alguns tipos de negócios, ficando os empresários em apuros para equilibrar as contas do mês; afinal as despesas continuam correndo e as contas se acumulando, mesmo sem expediente.
Os brasileiros são alguns dos povos que gozam do privilégio de terem férias de, no mínimo, trinta dias, enquanto outros, como o Japão, desfrutam de férias bem menores, porque na cabeça deles está a idéia de que quem trabalha mais tem chances maiores de crescer mais e melhor.
Juntamente com os feriados e dias santos vêm os pontos facultativos e os enforcamentos, tão usuais no Brasil; com isso trabalha-se, às vezes, apenas meia semana, quando muito.
Feriados e pontos facultativos batem de frente com os lemas Ordem e Progresso e Trabalha e Confia estampados nas respectivas bandeiras. O problema não é tanto esse, o problema maior é que eles acontecem o ano inteiro, quase mensalmente, provocando enormes colapsos na vida do brasileiro. É notório que os governantes não conseguem pôr fim a esse estado de coisas; muito pelo contrário, às vezes aumentam cada vez mais as sinecuras, talvez pressionados por vereadores, deputados e senadores que, atendendo exigências de alguns segmentos sociais, propõem leis que promovem o inchaço do calendário de feriados e dias santos.
Acreditamos que valeria uma consulta à opinião pública para ver se é isso que a maioria quer, precedida, tal consulta, de um estudo que mostre os prejuízos que a nação tem em termos de queda na arrecadação de impostos e queda na qualidade dos serviços prestados – ou que deixam de ser prestados – aos brasileiros.
Por mais que gostemos de umas folgas extras não podemos perder de vista o interesse público, que deveria ocupar o primeiro lugar e não o interesse apenas de uma parte da sociedade. Sabemos que defender esses pontos de vista é como pregar no deserto, mas vale a pena tentar mudar esse quadro.
Vamos tentar?
Alencar Garcia de Freitas é jornalista.